Impressões, retratos e factos presos à condição de Refugiado... Histórias de gente em movimento: fugindo do terror, sonhando com uma vida melhor, perseguindo o futuro, num mundo global
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
«Trabalho das 8h às 16h. Tenho saudades de ser feliz.»
Mais de 187 mil crianças em idade escolar sírias refugiadas no Líbano não vão à escola.
Este testemunho faz parte de um novo documentário interativo da UNICEF chamado #imagineaschool. Há outros também impressionantes...
Jomaa, 14 anos, fugiu da Síria com os sete irmãos há quatro anos. Ganha dois dólares americanos por 12 horas de trabalho. «Esqueci como escrever e ler.»
Mohamad tem 15 anos e trabalha para sustentar a família: «Canso-me muito. Trabalho das 8h às 16h. Tenho saudades de ser feliz.»
Ao ouvi-los não consigo deixar de pensar na sorte que temos, mas ao mesmo tempo como a vida é tão dura para tanta gente... Daí ao passo «o que fazer?» vai um piscar de olhos...
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Crianças refugiadas na Europa: nem sãs nem salvas
A Europa não tem sido
um porto seguro para as crianças e jovens refugiados. É preciso fazer alguma
coisa.
Uma investigação
recente da UNICEF em campos de refugiados no norte de França concluiu que diariamente há
crianças alvo de exploração sexual, violência, e trabalhos forçados. Os relatos
das 60 crianças entre os 11 e 17 anos são arrepiantes. Em Nem sãs nem salvas, elas traçam um quadro de abusos constantes: prostituição
forçada, violações e envolvimento em atividades criminosas.
O diretor executivo da UNICEF no Reino Unido dizia que
«estes campos não são lugares para crianças. Sabemos que, pelo menos, 157
crianças em Calais têm direito legal a estar com as suas famílias no Reino
Unido».
Daí que seja importante agir. A partir deste outono, milhares de crianças refugiadas vão
ter acesso à escola na Grécia. O primeiro-ministro fez o anúncio da contratação
de 800 professores esta semana. É uma boa decisão que só peca por tardia. Neste
momento, há mais de 57 mil refugiados naquele país. Estima-se que um terço
sejam menores.
Recentemente, uma
grega ganhou o Prémio Norte-Sul do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa. Lora
Pappa, antiga consultora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os
Refugiados, fundou a organização METAdrasi. Trabalha intensamente com refugiados
e migrantes, especialmente menores e crianças desacompanhadas. Para isso, criou
uma equipa com quase 300 intérpretes e mediadores culturais; tem equipas que transportam
crianças desacompanhadas em segurança para instalações apropriadas para
menores. Já foram apoiadas mais de 3650 crianças. Na cerimónia de entrega do
Prémio, em Lisboa, disse tratar-se «de uma corrida contrarrelógio para criar
estruturas de acolhimento para que estas crianças, mais de 1500, não fiquem
expostas a redes de passadores e de traficantes».
Ações como estas salvam a vida de
crianças. Mas a UNICEF tem exigido ação aos governos. É preciso que eles ajam e
que nós, cidadãos, nos empenhemos e pressionemos para essa ação. As crianças
desacompanhadas devem ser uma prioridade e os seus processos analisados com
maior rapidez. Não é aceitável que fiquem muitos meses, às vezes até anos, à
espera de uma resposta ao pedido de asilo.
Nos primeiros meses deste ano, 4760
crianças atravessaram do Norte de África para Itália. Dessas, 94% estavam
sozinhas.
Foto: METAdrasi
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Um testemunho forte, que me faz pensar na sorte que tenho por viver onde vivo e viver como vivo.
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